GM Finance Track 2027 · Business case "Rentabilidade ou caixa?"
Revisão independente do seu case e dos 3 slides. O modelo foi reconstruído do zero e as 120 combinações de alavancas foram testadas. Resultado: os seus números estão certos e o plano é o melhor possível. O trabalho agora é blindar a narrativa.
Tudo o que está nos slides foi reproduzido de forma independente, a partir só do enunciado.
As 6 melhores combinações que respeitam o piso (das 120 possíveis). Repare que a segunda melhor fica a R$ 0,8 mi do piso, o que por si só justifica a sua escolha.
| # | Plano | EBIT 12m | Mín. caixa | Caixa M12 |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Onix +2% · Tracker +500 no M4 · S10 1.000 · D · E (o seu) | 296,9 | 76,8 (M1) | 294,3 |
| 2 | Onix +2% · Tracker +500 no M4 · S10 500 · D · sem E | 294,4 | 50,8 (M4) | 216,3 |
| 3 | Onix +2% · Tracker +500 no M4 · S10 1.000 · D · sem E | 286,9 | 86,8 (M1) | 284,3 |
| 4 | Onix +2% · Tracker +500 no M4 · S10 500 · sem D · E | 271,4 | 79,8 (M1) | 244,3 |
| 5 | Onix +2% · Tracker +500 no M4 · S10 1.000 · sem D · E | 263,9 | 79,8 (M1) | 312,3 |
| 6 | Onix +2% · Tracker +500 no M4 · S10 500 · sem D, sem E | 261,4 | 89,8 (M1) | 234,3 |
Cada um deles ou muda a narrativa ou é uma pergunta esperando para acontecer.
O estoque inicial de S10 é de 1.500 unidades, ou seja, três meses de venda, enquanto Onix e Tracker têm um mês. O contrato tira 1.000 unidades desse estoque e libera R$ 140 mi de capital de giro parado (1.000 × R$ 140 mil). Vista assim, a "perda" de R$ 15 mi é 10,7% do capital liberado.
E o efeito de caixa não é só antecipação: além do M12 o contrato ainda deixa +R$ 125 mi de caixa permanente, porque as unidades nunca são repostas. Essa leitura deveria estar no diagnóstico do slide 1 e muda a cara do −15.
O slide diz "sem contrato o caixa vai a −39 no M4", mas esse número inclui o D. O ponto mais forte é outro: o Tracker sozinho no M4, sem D e sem E, já rompe o piso (caixa de 24,8 no M4). Sem o contrato não há nem o crescimento que o Comercial quer. Isso transforma o S10 de concessão em pré-requisito.
Há R$ 900 mi de dívida financeira contra um EBIT anual de 132. Se a dívida custar os mesmos 12% da taxa de desconto, são R$ 108 mi de juros por ano e uma cobertura de só 1,2x. O capital de giro (685 de recebíveis + 702 de estoques − 281 de fornecedores) é de R$ 1.106 mi contra R$ 80 mi de caixa. É isso que explica por que o piso de 50 é inegociável e por que a prioridade é margem estrutural, não volume.
Os slides mostram EBIT de 297 e caixa de 294, mas não ligam um ao outro. A ponte: EBIT 297 + depreciação 155 − CAPEX 315 = 137; mais liberação de estoque de 96 (S10 libera 140, Tracker consome 44), menos aumento de contas a receber de 27, mais fornecedores de 8 = 214, que é exatamente 294 − 80. A frase-chave: "a diferença entre o meu plano e a referência está em 96 de estoque liberado".
VPL de R$ 139,9 mi a 12% a.a., TIR de cerca de 80%, payback de 1,3 ano. E, no horizonte de 12 meses, o D é caixa-negativo (−63 de investimento, +45 de benefício = −18). Isso é exatamente o conflito "rentabilidade ou caixa" do título do case. Ela precisa ter esses três números de cor.
O plano inteiro depende de o frotista pagar no M3. Se o pagamento atrasar um mês e o CAPEX for mantido, o caixa do M3 vai a −1,8. Se atrasar dois, −36. O "gate" do slide 3 ("sem pagamento, sem CAPEX") resolve: segurando D e Tracker por um mês, o M3 fica em cerca de 99 e o custo é de cerca de R$ 15 mi de EBIT (um mês de Tracker, 10,75, e um mês de D, 4). Esse número precisa estar na ponta da língua.
A governança proposta é "caixa semanal em M3 e M4", mas a folga mínima (26,8) acontece no M1, antes de qualquer validação, e nesse mês não há alavanca nenhuma: são os pagamentos iniciais (281 de fornecedores) mais as despesas de D (3) e E (10). Vale reconhecer isso no slide 3.
O enunciado pede explicitamente os cenários de −3% e −7%. Com −3% o EBIT total vai a 310,0; com −7%, a 283,9; a −11,8% o resultado iguala o de não reajustar (252,5 contra 252,8). E o reajuste também ajuda o caixa, porque a produção cai 200 unidades/mês. A elasticidade implícita do cenário central é −2,5 (2% de preço, −5% de volume); vale uma frase sobre o que acontece se a concorrência não acompanhar.
O gatilho "revisar preço se volume < 3.720" contradiz a regra "reajuste válido por todo o horizonte", e na vida real reverter preço custa credibilidade com a rede. E o gate de CAPEX no M3 contradiz "todas as decisões devem ser tomadas no início". Os dois são bons, mas precisam ser enquadrados como governança de execução, não como alavancas do modelo.
Se a demanda adicional vier pela metade (+250 em vez de +500), o EBIT cai para 247. Se não vier nada, para 198. Nos dois casos o caixa mínimo continua 76,8 no M1, porque o investimento é coberto pelo S10. Isso é um argumento forte para a Tesouraria: o plano separa quem carrega risco de EBIT (Comercial) de quem carrega risco de caixa (ninguém).
Toque em cada uma para ver por que vão perguntar, como sustentar e o número que fecha a resposta.
Querem ver se ela entende que o S10 é um instrumento de liquidez com custo, e não uma venda.
Como sustentar"Não faria se houvesse financiamento disponível. O contrato custa R$ 15 mi para antecipar R$ 165 mi por cerca de cinco meses: isso equivale a uns 22% ao ano, acima dos 12% do case. Como o enunciado proíbe captação, é a única fonte. Além disso, é uma desmobilização de estoque: libero R$ 140 mi de capital parado em três meses de S10."
É entregável obrigatório e não está nos slides. E é o coração do dilema "rentabilidade ou caixa".
Como sustentar"VPL de R$ 139,9 mi a 12%, TIR próxima de 80%, payback de 1,3 ano. No ano 1 o D consome 18 de caixa, mas rende 60 por ano do ano 2 em diante. O custo do S10 é 15 uma vez só: eu pago 15 para comprar um ativo que vale 140."
Para testar se ela sabe que o S10 não é opcional.
Como sustentar"Essa simplicidade não existe: sem o S10, o Tracker sozinho no M4 rompe o piso, com caixa de 24,8 no M4. E 'só D + E', sem crescimento, dá EBIT de 219 e também rompe, com 32,2 no M3. Qualquer plano que invista precisa do contrato."
É o ponto único de falha do plano e a Tesouraria vai enxergar na hora.
Como sustentar"Com o CAPEX mantido, o M3 vai a −1,8, por isso existe o gate. Segurando D e Tracker por um mês, o M3 fica em cerca de 99, o piso é preservado e o custo é de cerca de R$ 15 mi de EBIT. Antes da aprovação, valido prazo, crédito e garantia com Comercial e Tesouraria."
O Tracker é 56% do ganho de EBIT. Querem saber se ela separou risco de resultado de risco de liquidez.
Como sustentar"Com +250 reais em vez de +500, o EBIT vai a 247; com zero, a 198. Nos dois casos o caixa mínimo continua 76,8, porque o investimento é coberto pelo S10. O risco do Tracker é de EBIT, e o dono desse risco é o Comercial, que me confirma a demanda antes da aprovação."
O enunciado pede exatamente isso ("utilize o balanço inicial e as movimentações para explicar resultado versus caixa").
Como sustentar"EBIT 297, mais depreciação 155, menos CAPEX 315, dá 137. Depois, capital de giro: estoques caem 96 (S10 libera 140, Tracker consome 44), recebíveis sobem 27 porque a receita mensal cresce, fornecedores sobem 8. Total 214, que é 294 menos os 80 iniciais."
O enunciado pede −3% e −7%; os slides só mostram o ponto de equilíbrio.
Como sustentar"A −3% o EBIT total vai a 310; a −5%, 297; a −7%, 284. O reajuste só deixa de valer a pena com queda de 11,8%, e mesmo aí empata com não reajustar. O reajuste também ajuda o caixa, porque produzo 200 carros a menos por mês. A elasticidade implícita é −2,5; se a concorrência não acompanhar, o gatilho de 3.720 dispara ação comercial."
Para testar se a escolha da "conversa mais difícil" foi pensada ou automática.
Como sustentar"Porque o Comercial perde nos três pontos que ele defende: 200 unidades/mês de Onix, dois meses de Tracker e 100 unidades/mês de S10 na rede por dez meses. A Tesouraria, ao contrário, recebe tudo o que pediu. A Manufatura ganha o D e a estabilidade. Quem cede é o Comercial, e por isso a contrapartida é dar a ele a propriedade do contrato e da demanda."
O gatilho de 3.720 no slide 3 sugere reversão, o que contradiz a regra do case e é ruim comercialmente.
Como sustentar"Não. A −8% o reajuste ainda rende cerca de R$ 25 mi por ano; só a −11,8% ele empata. O gatilho de 3.720 dispara ação comercial (mix, campanha, rede), não reversão de preço. Reverter preço destrói credibilidade com a rede e o case não permite."
Caixa final alto pode parecer excesso de conservadorismo.
Como sustentar"Não deixei: testei todas as combinações e a única que gera mais EBIT que a minha fica a R$ 0,8 mi do piso; as outras rompem no M2 ou no M4. O caixa alto é efeito do contrato S10, que entra de uma vez no M3. Com esse caixa eu amortizaria parte da dívida de 900 ou financiaria a próxima etapa do Tracker."
Para ver se ela conhece os limites do próprio plano.
Como sustentar"EBIT de 234, ainda R$ 100 mi acima da referência. O caixa rompe no M3 (−1,3) só se eu mantiver o CAPEX sem o recebimento; com o gate, não rompe. É por isso que o gate existe: o único risco de liquidez do plano é o pagamento do S10, e ele está cercado."
Pergunta de Manufatura, para ver se o plano de produção foi checado.
Como sustentar"No M3 produzo 2.500 de venda mais 500 de estoque, 3.000, dentro do limite de 3.500. Do M4 em diante, 3.000 por mês. No S10, a produção cai para 400 no M3 e o estoque vai de 1.500 para 500, ainda acima de um mês de venda. O Onix cai para 3.800 e o estoque de 4.000 vira 1,05 mês."
Valores em R$ milhões. Tudo recalculado a partir do enunciado; a sua planilha chega aos mesmos resultados.
| Item | Valor |
|---|---|
| VPL do projeto D a 12% a.a. / TIR / payback | 139,9 / ~80% / 1,3 ano |
| Projeto D no horizonte de 12 meses: caixa / EBIT | −18 / +33 |
| Onix: EBIT total com queda de −3% / −5% / −7% | 310,0 / 296,9 / 283,9 |
| Onix: volume de equilíbrio / queda de equilíbrio | 3.530 un. / −11,8% |
| S10: contribuição do contrato / vendas regulares perdidas / líquido | +25 / −40 / −15 |
| S10: deslocamento que zera o EBIT do contrato | 625 un. (62,5%) |
| S10: capital de giro liberado / caixa permanente além do M12 | 140 / +125 |
| S10: custo implícito como financiamento | ~22% a.a. (vs 12% do case) |
| Tracker sozinho no M4, sem S10: menor caixa | 24,8 (M4) |
| S10 atrasa 1 mês, CAPEX mantido / 2 meses | −1,8 (M3) / −36 (M4) |
| S10 atrasa 1 mês, com gate: caixa M3 / custo em EBIT | ~99 / ~−15 |
| Tracker: demanda real +250 / zero (EBIT total) | 247 / 198 |
| Ponte EBIT → caixa: EBIT + D&A − CAPEX + Δ capital de giro | 297 + 155 − 315 + 77 = 214 |
| Balanço: dívida / cobertura de juros a 12% / capital de giro | 900 / 1,2x / 1.106 |
| Estoque inicial em meses de venda: Onix / Tracker / S10 | 1,0 / 1,0 / 3,0 |
Sensibilidade do Onix (plano completo)
| Queda de volume | EBIT 12m | Mín. caixa | Caixa M12 |
|---|---|---|---|
| −3% | 310,0 | 74,1 | 303,5 |
| −5% (central) | 296,9 | 76,8 | 294,3 |
| −7% | 283,9 | 79,5 | 285,0 |
| −10% | 264,3 | 83,6 | 271,2 |
| −11,8% (equilíbrio) | 252,5 | 86,0 | 262,8 |
| Sem reajuste | 252,8 | 70,0 | 247,0 |
Testes de estresse (plano completo)
| Cenário | EBIT 12m | Mín. caixa |
|---|---|---|
| S10 paga no M4, CAPEX mantido | 296,9 | −1,8 (M3) |
| S10 paga no M5, CAPEX mantido | 296,9 | −36,2 (M4) |
| Tracker real +250 | 247,4 | 76,8 (M1) |
| Tracker real zero | 197,9 | 76,8 (M1) |
| Onix −7% + Tracker +250 + S10 no M4 | 234,4 | −1,3 (M3) |
| Onix −11,8% + Tracker zero + S10 no M4 | 153,5 | 0,0 (M3) |
A estrutura está boa. São trocas cirúrgicas, mantendo o limite de 3 slides.
Coisas para ter prontas antes de entrar na sala.